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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sermão aos Escaravelhos - Ensaio sobre a solidão.

Desde os meus dezassete anos que a solidão é parte integrante e importantíssima na minha vida. Foi nessas horas que desbloqueei portas de percepção, foi também nessas primeiras horas que comecei a escrever. Aos dezoito anos ia para a faculdade, a cantarolar uma música que tinha escrito chamada 'Downtown', e foi sozinho que percebi que estava apaixonado, também sozinho foi que percebi que já não estava apaixonado, simplesmente triste porque 'aquela' ou a 'outra' já não faziam parte da minha vida, nem o meu pénis da delas. A solidão tem destas coisas. A solidão é uma mulher que não é a mais vistosa da sala, mas seguramente a mais bela, com o sorriso mais bonito. A solidão é uma mulher que nos ensina, não nos critica, sobretudo, é uma mulher a sério, que não faz por nós as coisas que somos nós que temos de fazer. E nós, Homens, que nos felicitamos uns aos outros por sermos Homens de H maiúsculo, temos de saber identificar estas mulheres. Temos de saber estar sozinhos. Não obrigatoriamente celibatários claro está.

A solidão contém também o nosso dark side, abracemo-lo por inteiro. Percebamos que neste dark side pode estar a nossa essência, o nosso espírito de finura, descobrindo coisas novas, desbloqueando barreiras na nossa mente, fazendo com que possamos ir mais longe. Não desperdicemos esta oportunidade de evoluirmos, sozinhos, sabe tão bem ou melhor que comprarmos algo com o nosso próprio dinheiro pela primeira vez. É por sinal um passo no processo de maturação, que, não sendo para todos, nem tampouco para qualquer um, nos faz a nós, Homens de H maiúsculo, evoluir como Homens que somos. Homens inteligentes e sensíveis, onde o bom senso predomina, mas não de forma ditatorial. Todos temos de fazer merda para aprender com as merdas. Todos temos de recomeçar do zero e ir para casa dos papás, para aprendermos que as relações terminam e nós ficamos tristes, mas não pela outra pessoa. Por nós próprios, que acabamos por ficar sempre com o sentimento derrotista de não termos conseguido ser normais. E somos sugados de novo para um vórtice que nos tenta levar de novo para o mundo normal, daqueles que têm os seus relvados aparados e a esposa já não os ama. Dizem que é um companheiro. Não quero ser assim, prefiro estar sozinho. Mas recuso-me a virar as costas ao amor.

Hoje, manipulando a dita 'solidão' a meu bel-prazer, uma 'solidão' acompanhada de amigos, auto-estima blindada, mas NUNCA virando as costas ao amor. Porque o problema de vocês mulheres, é que vocês são todas bonitas, têm todas algo que nos cativa. Mulheres a sério claro está. Os padrões de exigência devem estar sempre o mais alto possível. Porque a pessoa mais feia da sala, pode tornar-se na pessoa mais bonita com um simples toque no cabelo. Mas principalmente, temos de saber estar sozinhos. Sejamos esposos, namorados, solteiros, etc. É inconcebível nos dias de hoje, existirem pessoas que namoram só porque sim, porque a namorada é bonita, porque se tratam por 'ursinho', ou porque ele ou ela têm dinheiro, ou porque ele é DJ, ou porque ele é dealer de cocaína e então ela pode ter o nariz sempre atestado. Isto acontece, e todos nós numa zona mais ou menos superficial da nossa mente, sabemos que isto acontece, e existe, infelizmente. Estas pessoas estão a querer matar o amor, mas ele continuará a existir, sobreviverá às guerras, e enquanto estivermos e soubermos estar sozinhos, aprendemos que o amor após a solidão, é como o primeiro golo de água a seguir a uma travessia de um deserto, é refrescante, é puro, é incolor, inodoro e insípido. É amor. E nós, Homens com H grande, temos também que saber distinguir amor de clique, de flirt, de tesão, de sexo anal, de mensagens no dia a seguir, ou de combinar um café.

A parte mais importante da solidão, é saber conhecer pessoas novas, sabermos estimulá-las, sabermos ser estimulantes, sabermos conhecer pessoas, flirtar, rir, ter tesão, ir para casa e pensar como é que ela beija, ou como é que ela faz amor, se é rapada, se tem celulite (para os não informados nenhuma mulher tem celulite quando está de quatro por isso não sejam tão esquisitos), mas sobretudo, saber sentir a energia das pessoas, ao invés de sermos os clássicos lazy cunts, que procuram somente a foda mais rápida e fácil do mercado. Quando estamos sozinhos sentimos as pessoas de maneira diferente, sentimos as pessoas sem estar com elas, fechamos os olhos e imaginamos os seus olhos verdes, fitando-nos, procurando algo em nós, fraquezas talvez. E nós, com a nossa melhor 'poker face', encaramos a fera, e fazemos frente. E começam os duelos. Se estiverem sozinhos, não flirtem com uma gaja qualquer, sintam a energia primeiro. E sobretudo, não tratem as pussies como troféus, não sejam chauvinistas, tratem bem as mulheres, e quando decidirem quebrar a solidão... May her pussy be worthy to remember. Fiquem com esta, quem não sabe estar consigo mesmo, de certeza que não sabe estar acompanhado.

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