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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Mini-Auto de Sobriedade.

Há uns meses atrás tive uma situação menos prazerosa envolvendo a ingestão de bebidas alcoólicas. Isso fez com que deixasse de beber e fumar de um dia para o outro fazendo então uma desentoxicação física do meu corpo cold turkey style. Este novo estilo de vida para mim que sempre fui um boémio que já experimentou de tudo um pouco foi deveras chocante, e admito que não foi fácil se não tivesse algumas ajudas, alguns escapes físicos, mentais, sexuais. Desde que voltei daquele sitio nefasto de gente de merda, a minha vida demorou a recompor-se... Mas mais uma vez me recompus. Por ela recompus-me. Por ela não desisti. Ela, que me chama "guerreiro" merece tudo o que este mundo lhe tem para dar de bom. Ela, que é pura como a água de uma nascente, que andaria na nuvém mágica, ela que me faz rir e chorar como ninguém. Ela faz tudo valer a pena.

A esta altura é importante perceber que o meu jejum terminou há uma semana, daí ter ganho o ponto de equilíbrio para voltar a escrever. Perceber que não é no extremo que reside a preserverança, mas sim, na ausência de ausência de objectivos. De metas. De 'goals'. No ''parar de chorar e correr atrás''. No falar menos e fazer mais. Nós os escritores estamos fodidos, porque falamos pelos cotovelos, e quando não falamos escrevemos, estamos condenados a falar sempre mais que aquilo que fazemos, sob pena de se não falarmos sermos considerados misteriosos, característica comum do tuga, que quando não consegue arrancar informações para a cuscovelhice, parte para cima com insinuações falsas para que os corrijamos.

Exemplo: Sujeito A quer saber a cor de algo. Pergunta a sujeito B.

A - " Algo é azul!"

B - " Não, é verde..."

Temos aqui um caso prático de ratoeira. Lição gratuita para abrirem os olhos.

Não beber e não fumar deixou de ser uma missão e passou a ser um modo de vida, e é óbvio que beber uns valentes copos de vez em quando sabe bem e não faz assim tão mal. O problema meus caros, foi o dia seguinte. Após jejum, o alcoól é suposto bater mais reza a lenda. A lenda é verdadeira. E o dia seguinte foi descalabrosamente doloroso. Mas férias são férias, e este ano, como disse no seu início, que iria ser de concretizações, está a ser. E em cada meta está um motivo para festejar, e em cada motivo para festejar estará uma garrafinha á minha espera. Beber não se tornou num prémio, mas sim em algo que faz sentido em certas ocasiões. Portugal está mais bêbado que aquilo q pensa. Somos um país entoxicado de chorões que preferem fazer manifestações a trabalhar. E isso mete-me nojo. Citando Calvin & Hobbes...

Calvin: "Quando for grande quero ser milionário!"
Pai : "para isso vais ter que trabalhar muito..."
Calvin: "Não! Tu é que vais! Eu só quero herdar..."

E é a esta merda que estamos entregues. Hoje não há copos com whiskey. Só com Soda Cáustica.

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