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quinta-feira, 5 de julho de 2012

O Amor dos Outros.

Aquele momento ímpar em que num clique nos apaixonamos e o nosso corpo segrega aquela parafernália de substâncias químicas melhores do que todas aquelas passíveis de compra no mercado negro, define-nos sem duvida enquanto animais. Queremos fugir do amor e teorizá-lo ao invés de o sentir, deixando de ser animais e passando a ser humanos. Não devemos ser humanos. O amor incondicional é animal. E na montanha-russa do pensar o amor não consta. O amor não se pensa, sente-se. Ninguém pensa que está apaixonado, e quem "acha" que está... Está enganado. Não há dúvidas.

Depois há aqueles que se precipitam e apaixonam-se por uma gaja qualquer, ou por um tipo random. Fazem juras de amor, promessas de casamento, sem se quer se conhecerem. O mundo está do avesso, e as pessoas esquecem-se de ser amigas antes de ser amores. E aí confunde-se todo o arco-íris de sentimentos onde nos perdemos, numa tesão misturada com heroína. E quando entramos na ressaca (momento correspondente a ''após a merda bater na ventoínha") parece que o mundo vai terminar, choramos, deprimimos e isolamo-nos. Ficamos todos fodidos desta cabeça, sem motivo nenhum. Por sermos humanos, e não animais.

No reino animal, os animais procuram outros da mesma espécie, para procriar, ou para se sentirem mais seguros. A leoa escolhe o parceiro, o leão rejeitado não fica triste. Este não pensa em amor. Este pensa em foder, em legado. No limite da história, tudo se resume a isto, foder, para construir um legado. Para a espécie continuar. Somos 7 biliões de animais-humanos. Podemo-nos dar ao luxo de foder por prazer. Podemos dar-nos ao luxo de pagar para foder. Podemos dar-nos ao luxo de foder de borla. Usar expressões como ''mas era aquela" são para os meninos mimados que ''nunca'' ouviram um não em criança. Que tiveram a coleção toda dos moto-ratos de marte, e que tiveram as tartarugas ninja todas. Poupem-me.

Fazer aquela introspecção importante dos "problemas a sério" é importante, mas não é com os problemas dos outros serem maiores que os nossos que devemos resolver os nossos problemas. A resolução passa por estarmos gratos pela nossa família, amigos, tecto, comida quentinha na panela, todos estes luxos de primeiro mundo que temos. Sendo que os problemas de luxo do iphone ter a bateria viciada me irritam profundamente. Não sou um tipo que dê muito valor a bens materiais, tenho o mesmo relógio há 12 anos, por exemplo.

Em suma, o que há a reter no meio disto tudo, é que com o amor e com os problemas dos outros podemos nós bem, e sim, o amor existe. Mas não da maneira que muita gente o vê, e o pensa. O amor sente-se, faz-se, é invisível, e faz coisas estranhas ao corpo. E no fundo, é estúpido num mundo com tanta gente, ficarmos a bater mal por causa de uma. É matematicamente estúpido, bem como psicologicamente. Independentemente do que o futuro trouxer, estaremos cá para amar, e foder.

Nathan Vendetta.

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