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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Amizade, uma arte mais do que perdida.

Já tive amigos. Um dia, num passado não muito longínquo já tive amigos. Nos dias de hoje conheço pessoas que acham que são meus amigos. Ou porque estão bezanos, ou porque preferem acreditar em mentiras de conveniência. Já não suporto se quer aqueles que fingem um ar preocupado. Já ninguém tem tomates para numa conversa dizer: "ei, eu não te conheço bem mas...". Preferem achar que são nossos amigos, mesmo quando partilhamos conhecidos, ideias, copos, cigarros. Nos dias de hoje conheço e reconheço alguns estranhos que vagueiam esporadicamente pelo meu pensamento nas ruas do desprezo. E muito sinceramente prefiro não ter assim tantos amigos, ou até mesmo zero amigos. Custa-me ver todagente a escarrapachar a sua vida pessoal nas redes sociais. Faz-me espécie que as mulheres se prostituam por tão pouco. Estou cansado de bater na mesma tecla.

Actualmente há uma ela que me faz acreditar na 'quiet life'. Que está tão apaixonada que acredita em mim e nas minhas supostas potencialidades. Está cega, já lho disse. Inúmeras vezes. Mas acima de tudo é minha amiga. Foi uma amizade que fiz. Amizade. Mais uma arte perdida por esse planeta fora... Que felicidade faz sentido se não for partilhada? Mesmo num único ser humano estão milhões de organismos vivos, por isso nunca podemos afirmar que estamos sozinhos, mesmo quando estamos SOZINHOS. Nunca estamos. A humanidade é uma só e deve ser vista como tal. Hoje dei por mim a ensinar a minha filha pela enésima vez que o dinheiro é uma merda. É um mal necessário. Que se o dinheiro não existisse o mundo estaria em paz. Não existiria a inveja, o status, as hierarquias sociais, o tipo que acha que é melhor que eu só porque tem mais posses. Até ver andamos todos atrás de pedaços de papel ao qual atribuimos um suposto valor e apelidamos de 'notas'. A realidade disto é de tal forma absurda que as vezes dou por mim a pensar quem é que está mais queimado... Os andrajosos de Lisboa que estão completamente fodidos daquela cabeça, ou os white collar, completamente psicóticos e dependentes das oscilações da bolsa.

O mundo está tão fodido que eu já não sei se não tenho amigos por culpa deles, ou minha! Porque eu não suporto a maior parte das pessoas que me rodeiam, as suas conversas de merda a recordar pedradas que apanharam. A explodir em sentimentos de êxtase quando as drogas se sobrepõem às suas personalidades superficiais transformando gajos que não querem saber de ninguém sem ser deles próprios, nos mestres do abracinho. Gajos que se acham amigos do próximo só porque o conhecem há mais de uma década. Essa arte perdida no tempo, a dita 'Amizade', já lá vai. Como diria o meu amigo brasileiro: "já era". Portanto a grande questão é o que fazer? Andar contrariado e misturado neste mundo de merda? Ir afogando as mágoas numa garrafa de Jack? Ou esperar que vá aparecendo alguém merecedor da minha atenção?

À minha volta encontram-se tantos interesseiros, tanta gente sem nada na cabeça, tanto lixo humano, que o copo de whiskey com soda cáustica de hoje... Vai para mim mesmo, acho que é a única maneira que vou arranjando para digerir este mundo imbecil.


Nathan Vendetta.

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