Numa altura da história contemporânea onde os responsáveis pela construção da mesma estão cada vez mais ignorantes e queixinhas, é preciso reflectir. É preciso pensar porque é que aos 24 anos os rapazes ainda são crianças e as mulheres ainda são adolescentes. O meu pai começou a trabalhar com 9 anos e a minha mãe lá perto. Ou pelo menos é como eles contam a história. A evolução é vista e revista cada vez mais tarde e não há memória de pessoas que saiam de casa dos pais antes dos 25. Mas há sempre excepções. A Alice é mãe solteira e saiu de casa da mãe recentemente. Tem um filho a quem quis dar um lar só para ele, com melhor ambiente, longe de gritos, um ninho. Tem três trabalhos e muito pouco tempo para sorrir embora seja das coisas que ela mais gosta de fazer. É um dos meus ídolos embora ela não o saiba. É necessário compreender a esta altura do campeonato, que muito se passou, muito se viu, muitos amigos foram, e outros ficaram. Pouquinhos, no caso dela, quase nenhuns. Os amigos dela, são iguais àqueles que eu tinha que já não tenho mais, que se tornaram conhecidos, ou talvez irrelevantes. E custa-lhe que assim o seja. Mas como eu aprendi também ela o vai ter de fazer. Vai ter de aprender a divertir-se das maneiras que valem a pena. E da mesma forma que eu aprendi a abraçar esta soda cáustica, ela terá que arranjar o seu método de olhar o mundo. Eu faço a minha parte enquanto melhor amigo dela e partilho a minha experiência de vida, de pai, de filho. Até porque ela faz o mesmo e ajuda-me, motiva-me e puxa por mim quando assim tem de ser. Temos muita sorte de ter um ao outro. Mas para nos termos precisamos de abdicar de algumas coisas entre as quais falsas amizades, hábitos nefastos, mentalidades pouco adultas em detrimento da nossa ainda juventude. Aproveita-la. Perceber que o amor é vazio se nada tiver lá dentro. O problema desta geração é pensar que o amor existe. Mas estão enganados, o amor constrói-se. Depois há aqueles que preferem viver uma farsa, e os outros que preferem nem arriscar. Eu sou um romântico, já arrisquei uma data de vezes, e outras tantas já me fodi, mas não faz mal. Há quem faça valer a pena. Neste mundo de falsos ainda existem pessoas reais. E no castelo que estamos a construir, essa raça de merda não entra. As nossas crias estão a crescer fortes e conscientes das dificuldades que o mundo atravessa, mas tal como os pais crescem preparados para a luta. Mas ao contrario de muitos, nós somos guerreiros de verdade, não andamos a fazer peitinhos para ninguém. Encaramos a vida de frente e pagamos as contas ao final do mês e esta sim, é a verdadeira luta. Suar para construir. O 'X' dessa equação é o Amor. A nossa geração está na merda, porque está banhada pela maior cambada de miudos mimados de que há memória. Que criticam quem cumpre com as responsabilidades e ficam do lado dos vendedores de drogas legais. Nunca fui santo nenhum, e já pus a pata na poça muitas vezes, mas a pergunta é: quem é que quer que os seus filhos cresçam neste mundo que se está a formar? Alguma coisa vai ter de mudar, e no nosso ninho, não vai mudar nada. O sonho permanece. Enquanto houver amor, seremos felizes a construir o nosso castelo.
O whiskey com soda cáustica de hoje vai para mim mesmo, que nunca pensei vir a escrever estas palavras.
Nathan Vendetta.
"...e no nosso ninho, não vai mudar nada." - para além de um concepção do amor altamente pobre, porque o amor não é uma empresa, aconselho um leve mergulho sobre alguns mares
ResponderEliminarCOMUNIDADE , COMUNICAÇÃO , FELICIDADE , CONSCIENCIA , RELAÇÃO, DEPRESSÃO, SOLIDÃO
a vida do eu com os outros é uma dança feita de ajustamentos.
tem direito à sua opinião sobre a coisa e de entender a coisa à sua maneira não tem é o direito de descontextualizar a coisa com técnicas jornalísticas baratas... esses 'mares' onde aconselha o leve mergulho, já eu fiz 400 metros estilos.
Eliminarno nosso ninho não muda nada, porque tem as bases construídas, cimentadas e muito bem alicerçadas, naquilo que mais tarde será uma família.
aproveitando a sua analogia, o amor pode ser uma empresa, uma caverna, pode ser a lua e as estrelas, pode ser o que você quiser... Achei positivo sim o facto de se ter sentido compelido a comentar. foi o primeiro, and for that my friend I shall thank you.
Nathan.
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ResponderEliminarApagar comentários não vale...
Eliminaruns a querer andar para a frente, outros parados no tempo, outros a querer andar para trás: é na última categoria que se insere vª excelência, que regozija com o sofrimento alheio e próprio, pseudo-heróico ou não, em prol de um ascendimento a um estádio ético super-humano que se pode adquirir em pacotes tetra pak. a sua soberba, lá do alto dos seus ideais retrógrados, com certeza que não lhe deixará ver para além das palas de mártir que possui mas, não obstante, deixe-me avisá-lo de que, com os posts que tem vindo a escrever, vª excelência insere-se na tal laia que declara desconsiderar: pessoas que julgam ter valor suficiente naquilo que dizemos ser o mundo para fazer, em ensaios poeticó-pedantes públicos, juízos inconscientes de valor.
ResponderEliminarcom votos de que a sua viagem no tempo da outra senhora à procura de d. sebastião lhe traga o que augura na vida, um abraço,
Júlio
obrigado por partir do princípio que eu seja uma excelência com ou sem ironia, eu prefiro considerar-me um scumbag que tem coragem para dizer algumas coisas que a maior parte dos queixinhas terá dificuldade em engolir, mas um copo de whiskey com soda cáustica ajuda isso a descer... aprecio bastante toda essa ironia-selo-de-cueca-de-criança. deve só atentar numa coisa, não julgue ninguém sem conhecer, muito menos um pseudónimo... é no mínimo ridículo. todavia aprecio que tenha lido mesmo que não tenha gostado, é sinal que se deu ao trabalho de fundamentar uma opinião, e isso já o distingue de uma criança de 3 anos. os meus parabéns.
ResponderEliminarNa esperança que não seja o Dantas que o Almada Negreiros tanto odiava... devolvo-lhe o abraço, de quem pelos vistos tem uma opinião que embora diferente da sua, a sua aceita.
Nathan.