LIKE ME MOTHAFUCKAAA

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Uns esfolam-se, outros choram-se e outros cagam-se.

"Fodido não tem vez." - Oscar Niemeyer

O Zé é um tipo que levou um empurrão dos pais e conseguiu montar um negócio, nunca foi de drogas, de álcool, sim bebeu os seus copos, sim fumou os seus parpalhos, mas nada de especial. O Zé agarrou a sua hipótese e tornou-a numa realidade. Não se chorou a ninguém, não desistiu, simplesmente terminou um curso para o qual tinha vocação, passou noites sem dormir para aprender a mexer nas suas ferramentas de trabalho, e foi para a guerra, num mundo cão, onde os filhos da puta são meninas de coro, e os gajos realmente fodidos não têm definição ainda. Mas são seres formados na total ausência de valores.
Sempre considerei o Zé um dos últimos gajos "puros", uma pessoa em quem poderia confiar e a quem poderia confiar tudo. Lembro-me distintamente de ele me acolher um dia que estava com uma moca gigante de sei lá eu o quê. Bebemos copos, jantamos, como se eu não tivesse com uma broa nos cornos de rebentar as costuras do meu crânio preso por arames. Mas a questão aqui é que o Zé esfolou-se à brava para ter aquilo que tem, e teve que chorar um pouco porque "quem não chora não mama", e depois cagou-se em praticamente tudo e todos, isolando-se como sempre no seu canto, com o seu trabalho, com a sua cadela e a sua namorada. O mundo não o afeta mais, ele construiu o seu castelo.

Depois há aqueles que só choram. O João quis drogas até aos 30. Sempre se chorou que a vida não lhe sorria, que não tinha dinheiro e que era um coitadinho. Tentou fazer 2 ou 3 cursos em faculdades, tentou ser cantor, DJ, animador, sei lá que mais. Sempre se chorou que a vida não lhe sorria. Sempre se quis gabar de grandessíssimos nadas desta bida. É um tipo que ainda hoje me irrita. É mentiroso, trapalhão, é um drug fiend, gosta de convencer os seus "amigos" a drogarem-se para não se drogar sozinho, acha que por ter arranjado um trabalho e mantê-lo é uma cena do caralho e acha-se melhor que as outras pessoas por isso. Sinceramente tenho pena dele. É triste ver uma pessoa tão vazia e sozinha no meio de uma multidão. Todos riem para dentro quando ele fala como quem diz: "estás a falar mas eu não quero saber de nada disso, estou a responder-te por cortesia". É triste ver alguém que foi sustentado pelos pais até aos 30 anos e que se acha no direito de se manifestar no campo político e dizer frases começadas por: "Este governo..". Mas como este há muitos, que se choram e choram e choram, mas correr atrás... não obrigado.

E é esta raça que infelizmente domina este país, estes chorões, estes intelectuaizinhos que se fartam de correr com o rabinho nos sofás. Que criticam aqueles que sempre se esfolaram para conseguir algo, estando-se a cagar para as influências utópicas daqui e dali, do "ah e tal, isto dantes era melhor" ou o "ah e tal, isto nunca mais anda prá frente"... Dos irónicos que criticam quem está apaixonado e diz que não quer que nada mude no seu amor, não compreendendo que a essência do amor deve estar conservada (ENGARRAFADA! SE POSSÍVEL!), que não interessa pensar no que isto já foi mas sim em como isto está. Porque é nesta realidade que vivemos, é nesta realidade que podemos ser felizes, porque até ver essa coisa dos after lives é treta de mãe-de-santo. É fodido ser feliz no aqui e no agora? Não. Se compreendermos que para ser felizes não precisamos de assim tanto. As tuas crianças saudáveis e a rir, uma mulher que olhe pra ti e te diga "amo-te", um tecto modesto, comida no freezer e meia dúzia de amigos... O resto? Meu, que se foda o resto.

Nathan Vendetta.