Não obstante das capacidades dos hominídeos, a ignorância revela-se aos dias de hoje a característica mais comum entre estes bípedes que chamamos de homo sapiens-vezes-dois. A exigência de um emprego com base na teoria do "porque sim", bem como a ausência de fundamentos ou motivos para uma revolução, leva-nos a nós, clássicos tugas, a batalhar mais uma vez por rigorosos e colossais, caralhões-de-nada. E o que são ''caralhões-de-nada"? Eu explico.
Caralhões-de-nada são a foda silenciosa em vossos ânus, é a TV que vos envenena com reality shows, que vos faz no vosso âmago desejar estar ali e ganhar os contos de reis que aquela escumalha ganha. Caralhões-de-nada são as grandes empresas enriquecerem milhões anualmente, despedindo centenas de colaboradores e rindo-se lá do alto do seu pedestal de mármore no Monte Olimpo, regozijando-se quando as culpas caem sempre em cima dos políticos, que quando chegam à cadeira do poder pensam:
- "fodasse... onde é que eu me vim meter caralho..."
Caralhões-de-nada são as Grândolas Vila Morena entoadas sem sentido ou significado, porque para além de já não estarmos nos anos 70, e muitos dos pais actuais nem se quer se lembrarem do que é que significou, são cantados na base da influência pop de politiquices aspirantes a governo que nunca serão.
São estas enrabadelas sem pila, elas que aprenderam com as chapadas sem mão, vão penetrando sem escolher cuzinho, são as pessoas que só querem trabalhar no litoral abandonando o interior do país, são os ciganitos a viver do RSI, são os mendigos Kusturicas que andam a pedir a esmolinha, os ministros e deputados e corpos diplomáticos em carros de 100 mil euros, continhas pagas e rabinho lavado com água das malvas. Cada um com a sua verdade, com a sua mentira, com o seu ódio, com os seus métodos de sobrevivência.
Esta geração, a anterior, e as que virão a seguir, estão todas fodidas. Os lugarzinhos de topo, de chefia, de secretaria estão todos pré-seleccionados. Quer seja no governo, nas autarquias, na polícia, nas grandes empresas, nas pequenas empresas, call centers, lojas de roupa, por aí fora, estão TODOS pré-seleccionados. Culpar um governo é fácil, mais difícil é culpar as empresas coitadinhas. É difícil mudar as opiniões, mas mais difícil é mudar uma maneira de pensar, principalmente a maneira tuga, derrotista, de memória curta, e influênciada por reality shows da TVI.
É fodido.
Hoje não há whiskey com soda cáustica para ninguém. A empresa despediu o barman.
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