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terça-feira, 21 de maio de 2013

Caminhadas.

Há uns tempos vi um documentário do Chico Buarque, nesse documentário ele falava nas caminhadas. "Se eu não puder andar, o livro não anda...". Foi isso que quis voltar a por em prática. Um velho hábito esquecido na teimosia do meu ser habituado a não fazer. É importante fazer, por em prática. Desenrolar a vida. Criar o caos. Fazer pausas. Viver e sobreviver no escuro. No vazio. A solidão não é má. É só silenciosa. É possível partilhar a solidão com alguém? Quem domina a mestria nesta arte, é com certeza uma pessoa sábia. Falar num silêncio absoluto é ouro sobre azul. Sou demasiado eléctrico para dominar estas vertentes. Comunico demasiado, inclusive comigo mesmo, numa esquizofrenia que até aos dias de hoje parece não ter fim, e, embora não procure medicação, porque creio padecer de uma enfermidade positiva, é difícil extrapolar, sair do quadrado, gritar. É estranho ter a necessidade de gritar aos céus um qualquer babluciar de liberdade, liberdade essa que ninguém a tem, presos em sonhos onde nos julgamos libertar, sem sentir os grilhões do pensamento. Sim. É o pensamento que nos prende. É preciso ir mais além. É preciso sentir o próximo, amar é um conceito gasto de livros antigos. Todos amam, ninguém sente. Ninguém se respeita. Todos exigem. Ninguém dá o exemplo. O ser humano é de tal forma egoísta que dá espaço encurtando as distâncias. Não percebendo que a vontade do 'Eu' é tão importante como a vontade do próximo. O bom senso morreu há anos. Ninguém lhe fez funeral. E eu? Bom, eu ando perdido nesta esquizofrenia de várias personagens literárias à la moda de Fernando Pessoa(s). É estranho e divertido ao mesmo tempo, viver num mundo onde todos têm opinião. Seria perfeito ser um macaquito. Foder e comer bananas o dia todo, entre intervalos de lançamento de merda uns aos outros "just for fun". Parece-me bem mais fácil. Para combater a ausência de consciência, eu tenho várias. De cada um de nós-de-mim. E é difícil para o próximo aproximar-se. Eu compreendo. Não estou sozinho. Estou com todos vós. Rio-me das vossas piadas. Existo anonimamente entre vocês. Observo-vos. Troco opiniões com os meus outros. Caminho na praia e reflito. Olho para o céu, para o horizonte, para os pescadores. Para as estrelas do mar mortas na areia. Que dádiva esta de viver. Que dádiva que as pessoas não aproveitam. Porque dedicam uma vida a um deus que não existe, ou porque se chateiam com um clube de futebol que nada lhes dá. Porque permitem que factores externos lhes estrague o dia, por vezes amizades. É triste, mas verdade. Num mundo onde uns pensam existir, e outros pensam viver. Eu prefiro caminhar. Cheirar. Sentir. O resto são frases feitas bonitas a colocar no status do facebook para lançar a teia dos engates. Os génios morrem, fica a obra. Quando será a minha vez? Dorme bem, Raymond.

Nathan Vendetta.

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