LIKE ME MOTHAFUCKAAA

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Internet. O vilão.

Nunca fui muito dado a gadgets, não tenho um telemóvel com câmara fotográfica, prefiro papel e caneta, e falar é ao vivo e a cores. Mas tive de me adaptar ao novo milénio, aderir ás redes sociais, messengers e afins. A falar pelo chat do facebook, a enviar e-mails, falar por mensagens. Sempre fui bom com as palavras. Nunca fui bom a ser impessoal. Chateia-me. É estúpido. Há sempre algo que fica por dizer, há sempre uma cara que fica por ler. Há uma mensagem que não é veiculada da melhor maneira porque não estamos a olhar para a pessoa. Sinceramente eu era mais feliz nos anos 90. As pessoas tinham que ter a lata de falar umas com as outras para se conhecer. Ninguém se escondia atrás de perfis falsos de facebook. Tinhas que pedir o número às miúdas. Era uma granda cena dar uns beijinhos. Hoje em dia esta merda virou o Texas. Elas fazem exactamente o mesmo que faziam há uns anos atrás, mas hoje deixam tudo bem escarrapachado no facebook para que todagente saiba. Como se fosse uma espécie de TV7 Dias personalizada. Já ninguém tem grande assunto, e preferem falar da última expulsão do programa da Teresa Guilherme. Já ninguém fala do livro que estão a ler, a não ser que seja chique falar nisso. Ou da exposição que foram ver, claro que vemos espalhado pelas redes sociais as gajas mais burras que conhecemos a dizer que recomendam a exposição da Joana Vasconcelos. Mas é chique! O que se há-de fazer? O Zuckerberg arranjou maneira de estarmos todos ligados e de espreitarmos a vida uns dos outros. Elas viraram putas. Eles cabrões. Será mesmo? Ou será que nesta cultura do ver e ser visto, quem ganha é o olho do cu? É que até esse pode ser fodido. O que me chateia mesmo, é discussões por causa do facebook. Do 'like' na gaja errada. Do 'like' da gaja errada. Ficamos automaticamente impedidos de ter pessoas amigas do sexo oposto? Claro que não, podemos ter, mas levamos automaticamente com uma avalanche de merdas passivo-agressivas que levam a discussão certa. Por onde? Pelo belo do chat do facebook é claro. Um sítio óptimo para se ter uma conversa que se deveria ter pessoalmente. E se as coisas não se resolvem por ali a conversa passa para onde? Para os telemóveis pois está claro. No dia em que morreu Raymond Daniel Manzarek, tenho muita vontade de voltar a um período em que ninguém pudesse ler isto. A não ser que estivesse a ler em papel. O saudosismo, em que todos nós tinhamos menos tecnologia, mas éramos melhores, muito melhores, especialmente uns para os outros. Falta-me paz de espírito neste mundo de betão e ferro.

When will it be the time, my time? To break on through to the other side? Well fuck it then. No whiskey.

Nathan.


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