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terça-feira, 16 de julho de 2013

Conversas com o Zé Povinho

Queria começar Nathan por agradecer-te em trazeres a minha humilde pessoa aqui ao teu espaço virtual. Uma vez que somos ambos personagens fictícias baseados em factos reais, deixa-me ser eu a fazer a primeira pergunta.

Zé: Quando é que percebeste que não te encaixavas na sociedade e por essa mesma razão tiveste de criar o teu próprio mundo?

Nathan: Olá Zé. Olha para te ser sincero nem sei bem, eu próprio já fui Zé quando servia copos na noite, não me apetecia dizer o meu nome verdadeiro ás pessoas e por vezes chegava a ser o Joseph, inspirado no Zézé Camarinha. Era uma barrigada de riso "daquelas". Mas tentando responder à tua questão, acho que quando valores como o respeito e a amizade morreram, por exemplo, senti-me tentado a deixar este mundo. O cinismo e a hipocrisia reinam neste mundo, principalmente neste país. Todas as pessoas acham que alguém lhes deve alguma coisa, principalmente que os governos lhes devem alguma coisa.

Z: Epá! Mas não achas que os governos têm roubado o povo e que têm deixado o país na miséria? Não me digas que estás do lado deles...

N: Não estou do lado de ninguém. Eu construí o meu mundo, lembras-te? Na minha cabeça eu vou até aos confins do universo. "Os governos"... Detesto essa expressão. Política e religião são dois temas ridículos, se juntarmos o dinheiro, obtemos instantaneamente (tal e qual uma misturadora) a Realidade dos Nossos Dias. Então os governos roubam? Ou são as pessoas? E essas pessoas não são eleitas? E essas eleições não são supervisionadas por outras pessoas que se certificam que corre tudo bem? Então eu vou odiar um tipo porque tem ideais diferentes dos meus? Soa-me um bocado ao que a Igreja fez desde sempre. Mas e daí... A Igreja também não é liderada por pessoas? Ou seja, na verdade não são as pessoas que são responsáveis pelo bem e pelo mal?

Z: Mas isso não tem nada a ver pá! Os governos são corruptos! Deviam morrer todos!!! Deviam lá por alguém competente e sério!

N: Então mas... ''Morrer todos" ? Isso parece-me um bocado radical Zé. E essa história de "alguém competente e sério" supostamente torna-se realidade a cada quatro anos, o pior é quando se começa a ir aos bolsos dos contribuintes. Deixam logo de ser sérios... Parece-me que as pessoas não compreendem a fossa em que este país se encontra... Imagina uma empresa na falência... e os gajos que vão assumindo a liderança quando vêm as contas para pagar dizem todos o mesmo: "Eina cum caralho, onde é que eu me fui meter..." Sinceramente Zé, achas que os outros da oposição iriam fazer uma diferença mínima na ''Cadeira do Poder"? É óbvio que não.

Z: Pois és capaz de ter razão...

N: Que se foda a razão, eu quero é uma solução. Basta de tentar arranjar culpados pra isto. O que a malta quer é uma solução.

Z: Então e o que é que propões? É que já nem sei em que pensar. Somos diariamente bombardeados com informação e contra-informação, para alimentar as cabeças dos ignorantes, para nos influenciar e para nos levar a votar em quem a Televisão quer. O melhor, em quem aqueles que controlam a Televisão querem.

N: Falaste bem agora, é que o pior no meio desta merda toda, é que quem se anda a rir são as caras invisíveis, aqueles nomes que ninguém se atreve a pronunciar. Estas novelas dos governos não são mais nem menos que "Morangos com Açúcar". As ditas mãos invisíveis, existem mesmo, e andam camufladas, não entre nós. Mas dentro dos seus BMW's serie 7 fumados e blindados, dentro dos muros dos seus casarões por esse Portugal fora. Um telefonema chega a valer milhões de euros para uns, e custa biliões para outros. Ganância, inveja, cinismo, hipocrisia. Povo burro, que não espeta em paus a cabeça daqueles que realmente nos roubam. Entopem as redes sociais, jornais, opinião pública com palavras ignorantes.

Z: Fodasse, mas o que é que queres que façamos? Fiquemos calados?

N: Se não tiverem nada de jeito para dizer sim. Já dizia o meu pai.

Z: Mas já sabes como funciona aqui no Ocidente, tem SEMPRE de existir um culpado.

N: Bem sei caro amigo, mas cada bode expiatório que inventam, cada banco que apresenta falência, cada português que não quer trabalhar, cada pai que sustenta um filho drogado, cada mãe que não mete o seu bilú a trabalhar porque não quer que estrague as mãos, cada comerciante que nunca pagou impostos, cada cepo que nunca votou, cada atrasado mental que vai para manifestações mamar copos e fumar ganzas (porque é isso que se faz nas manifestações... Ah, e grunhe-se muito), cada anormal que se acha no direito de se manifestar contra governos embora tenha sido sustentado pelos papás uma vida toda e já tenha quase 40 anos, cada um destes exemplos e SABENDO que há muitos mais e que estes sim formam a nata que ousam chamar de ''POVO'', enquanto forem estes com a voz do falso povo, o país está na merda. Com as mentiras da política, da religião, posso eu bem, agora com as mentiras do Povo? Do Povo Zé? Essas eu não consigo suportar, quase que me apetece chorar. Odeiam governos, mas não plantam os seus próprios terrenos, não vão buscar água às fontes, não criam umas vaquinhas, uns porcos, umas galinhas, e porquê? Porque assim não podem pôr no facebook através dos seus iPhones que levam um lifestyle bué roots e coiso e tal. Odeiam a polícia e chamam-lhes filhos da puta, mas quando alguém os assalta vão a correr ter com esses mesmos "filhos" para acudirem. Não são racistas porque é ignorância, mas quando alguém mais escuro que eles lhes mete medo, passa logo a ser ''preto". Sim Zé, cinismo, hipocrisia. NOJO. Todagente se acha no direito de dar lições de moral aos outros, mas depois as suas acções não são coerentes com as palavras! Todos se acham donos da razão, mas depois apanhas sempre eles a agir de forma contraria!  Concordo que o POVO, o VERDADEIRO POVO, aquele que VOTA, aquele que TRABALHA E PAGA IMPOSTOS, aquele que quer ajudar o país a crescer, a sair do fosso, concordo que esse POVO, se tenha de unir, e que se faça ser ouvidos. Não são centenas de milhares, milhões de jovens, controlados por unidades sindicais que deviam ter vergonha na cara. Sabes que esses falsos membros do povo, recebem uma NOTA PRETA do Estado ANUALMENTE? Mais as cotas de quem lá anda não é mesmo...

Z: Olha Nathan, não sei o que te dizer mais. Depois desta conversa, já não sei se me apetece voltar para este ativismo todo. Acho que vou comprar um terrenozinho no interior, plantar uma batatinha, umas couves, arranjar umas galinhas, uns coelhos e uns porquitos, uns tomatitos, umas favas e mais umas verdurazinhas. Com tudo isso que me disseste, viver no campo à luz das velas, há-de bater viver na cidade aos pontos. Sem cinismo, sem hipocrisia, com amor e respeito. Com ajuda e amizade. Sem ambiciosos a quererem atropelar tudo em seu caminho. Com valores a instaurar. Não se pode fazer 'restart' a Portugal? Não dá 'né? Era bom.

N: Deixa lá amigo, estamos cá pra ver no que isto vai dar. Até lá, vamos vivendo neste mundo imaginário onde somos livres de dizer e pensar o que queremos. Mesmo que para uns seja Whiskey, e para outros Soda Cáustica.

/(por enquanto) O Fim.


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