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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Celebrar.

Presos no tempo da auto-estrada da desinformação vamos acompanhando as novas ideias e tendências da época contemporânea. Onde todos ganharam uma voz e acharam por bem gritar ao mundo (através de gritos bem mudos) as suas ideias. Pensamentos. Revoltas. Eu adorava não fazer parte da geração que ainda apanhou isto por um triz. Adorava ter feito parte de duas ou três gerações antes. A música era melhor, o respeito era maior, e numa de equilibrar a coisa, o caos resolveu colocar também o preconceito como bordão desta não-sociedade. A não-sociedade de hoje é feita por outros tipos de preconceito, de bullying. Mas a música é pior, e o respeito não existe. Enquanto a não-sociedade é feita, a sua arqui-inimiga - a sociedade, é completamente desfeita. Lançada para o oblívio. As não-pessoas e os não-humanos ergueram-se e tomaram o poder. Deixando-nos a nós, aos poucos humanos que sobreviveram ao holocausto das mentes e do progresso, presos por dois fios, um de pensamento, e outro, de consciência.

A não-sociedade admite que ser conhecido, uma celebridade, seja uma profissão. Comparecer num mesmo local para afirmar perante a não-sociedade: "Eu sou melhor que tu." Os reality-shows poluem as cabeças dos não-humanos, injectando-lhes uma espécie de heroína audiovisual que os leva para os cafés e para as ruas, resquícios da antiga civilização, perdidos nos não-países, nas não-cidades. E a mim... preso pelos meus dois fios, num sofrimento ímpar, só me resta suportar a tortura. Ou partir os fios e renascer uma não-pessoa. Jamais.

Serei estóico, niilista. Serei impérvio à dor, à tortura, ao veneno e às sensações de não-verdade. Tomarei o leme e seguirei num outro multiverso, ainda que estes... espectros de não-humanidade vagueiem no mesmo espaço físico que eu, pintarei o presente com fogo. E aí eles vão perceber o que é de facto real, e vão perceber que todas estas não-realidades deturparam tudo aquilo que os não-humanos viram até ao dia de não-hoje. E poderão renascer num amanhã que existe. Sim, que existe. Onde o amor ainda não morreu. Enquanto o amor existir, podemos celebrar. Com os poucos humanos que restam, neste planeta quase já sem vida. Celebramos a ela. Á vida.

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