A não-sociedade admite que ser conhecido, uma celebridade, seja uma profissão. Comparecer num mesmo local para afirmar perante a não-sociedade: "Eu sou melhor que tu." Os reality-shows poluem as cabeças dos não-humanos, injectando-lhes uma espécie de heroína audiovisual que os leva para os cafés e para as ruas, resquícios da antiga civilização, perdidos nos não-países, nas não-cidades. E a mim... preso pelos meus dois fios, num sofrimento ímpar, só me resta suportar a tortura. Ou partir os fios e renascer uma não-pessoa. Jamais.
Serei estóico, niilista. Serei impérvio à dor, à tortura, ao veneno e às sensações de não-verdade. Tomarei o leme e seguirei num outro multiverso, ainda que estes... espectros de não-humanidade vagueiem no mesmo espaço físico que eu, pintarei o presente com fogo. E aí eles vão perceber o que é de facto real, e vão perceber que todas estas não-realidades deturparam tudo aquilo que os não-humanos viram até ao dia de não-hoje. E poderão renascer num amanhã que existe. Sim, que existe. Onde o amor ainda não morreu. Enquanto o amor existir, podemos celebrar. Com os poucos humanos que restam, neste planeta quase já sem vida. Celebramos a ela. Á vida.
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