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segunda-feira, 7 de abril de 2014
a piada de deus.
Sempre fui um tipo com sentido de humor. Dado a conhecer novas matérias, curioso para procurar novos horizontes. Mas nunca acreditei mais em deus que no homem-aranha. Creio que aos dias de hoje já muito pouca gente do conhecido e desejado "primeiro-mundo" acredita em deus. Os que acreditam é por que é "bem". Ou porque nasceram antes de 1980. Quem acredita em deus depois desta altura é um hipócrita. Até porque todos vocês já fizeram merda suficiente para ir para o inferno. Mas sejamos realistas. A melhor piada de deus, da igreja, dos crentes, é realmente passarem a palavra de deus. Será que os padres se riem nos seus escritórios a tratarem da papelada sagrada? "hah! e depois o gajo disse, "que deus esteja contigo!" havias de ter visto quase que me saltou o arroz pelo nariz!". Ou será que os políticos têm na verdade uma equipa de argumentistas e que o parlamento na verdade é uma peça de teatro que dura há decadas? A piada-mestra é que nós, contribuintes, pagamos esta peça. Mas ninguém se pode excusar de responsabilidades. Os manifestantes que acreditam na peça, as uniões sindicais que lucram com a peça. Os políticos que auferem três mil e tal euros. Os polícias que quebram a lei. Os pequenos comerciantes que fogem ao fisco para ter mais um pouco no pé de meia que vai reverter para os filhos. A piada-mestra é que todos escolhemos acreditar em algo, algo metafórico, transcendente, algo que não se vê. O fascínio do ser humano pelo oculto, pelo metafísico. E nós? E nós, que só vivemos meia dúzia de décadas, às vezes nem tanto. E em nós? Quem acredita? Há possívelmente mais associações de ajuda animal que humana. Não somos animais também? Quem acredita em nós? A resposta é ninguém. Porque na verdade ninguém quer acreditar em "alguém". Mas sim em "algo". E isso é do mais displicente, nojento, e desrespeitoso para com os seres vivos. Todos eles. Queremos descobrir marte, mas ainda não percebemos nada da terra. Queremos invadir outros planetas, para como um virus, sugar, e fazer apodrecer as reservas de uma nova "mãe-natureza". Sem perceber a essência humana. Sem perceber como estabelecer a paz. Procuramos mais terra, mais água, mais petróleo. Restam-me mais umas quantas décadas neste planeta. Não tenho medo de morrer, não tenho medo de acreditar. Mas acreditarei no Homem. Não somos o ser perfeito, mas evolutivamente somos o mais aperfeiçoado. Aprendemos a deslocar-nos no mar, na terra, no ar, e tudo isto é tão fantástico, que ainda dispomos de uma estrela que arde para nossa sorte, e conforto. Somos estimulados pela música, pelo sol, pela brisa a bater-nos na cara. Mas não chega, não é? Nunca chega. Há que ir exibir os ténis novos para a night. Mostrar as unhas novas no facebook. Falar mal dos outros nas costas. Odiar o próximo. Atropelá-lo. A grande piada-mestra-divina-político-social, é que os génios do marketing criaram uma necessidade em todos vós. A superficialidade. E essa sim é a mais nojenta característica da sociedade, desde há milénios. Hoje sinto-me divíno. Iluminado. Intocável. Sou deus? Hah. Sou Humano. E ser Humano é o suficiente para mim. Ser o Mano também. Até porque se Errar pelo planeta fosse o meu irmão, então Errar seria o Mano.
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